Parada de meia hora num cais, a observar a dança dos golfinhos, os sincronizados saltos que até pareciam ensaiados no imenso azul profundo. A chegada das águas salgadas, que brancas rebatiam com toda força nas pedras colocadas a sua margem, de certa maneira impedindo o encontro com a areia fina, que fora seu destino, seu acolhimento, a chegada, corroiam-nas imperceptivelmente dando-as um novo contorno. A força daquelas águas, que olhando por cima e de longe pareciam tão calmas, ligou a situação a minha alma à tudo aquilo que os meus olhos absorviam como paisagens e explicações para tudo que eu sentia. A turbulência da chegada era como os meus sentimentos que ali constantemente, e agora, rebatem-se dentro de mim me corroendo, me dando novas curvas e me ensinando a ver e entender a vida de outra forma.
Como a maresia tudo dentro de mim vai e volta, em pequenos instantes que não permitem esquecer os momentos que passei ao lado de pessoas as quais realmente e tanto amei. Talvez seja da mesma forma que o mar, em que pode de dia levar tudo o que lhe for jogado mas que de noite traz de volta, e num novo amanhecer essas mesmas coisas estarão ali de novo. Correr ao seu encontro sempre foi uma forma de desabafo. Despejar as lágrimas para sumirem com a tristeza talvez seja um alívio que todos buscam alcançar. Servindo de inspiração, se tornando um colecionador das coisas que lhe damos e que não aceitamos devolução, nossas lágrimas!
O vento nesse dia veio conversar com meu coração, sussurrando em meu ouvido, juntamente com a voz das águas, que eu posso, sim , acalmar esse meu tormento e tiroteio de sentimentos dentro de mim. Que quando eu precisar vão estar ali, me despertando, dando paz, e trazendo a compreenção que eu necessito pra entender o sentido de tudo.

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